Duas histórias engraçadas do meu tempo de agência

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Tempos atrás, eu trabalhei um período em uma pequena agência de publicidade. Não vou entrar no mérito de “se ainda vale a pena ou não trampar em agência” (não nesse texto, pelo menos), mas estava recordando de dois casos cômicos que presenciei.

As duas histórias se relacionam à ética profissional. Só lembrei delas porque em um processo seletivo, recentemente, participei de uma daquelas dinâmicas de se-você-estivesse-em-tal-situação-o-que-você-faria, onde todo mundo diz a verdade. Claro.

Mas vamos às histórias. São rápidas.

Cuidado ao enviar currículos. No meu primeiro dia nesta pequena agência, trabalhei com o redator que estava saindo, cujo lugar eu ocuparia. Almoçamos juntos. Ele falou mal da vaga que estava desocupando, o de praxe, que a maioria faz (não que esteja certo). O tal redator criticou de modo severo a ética do dono da agência. Até aí, só introdução. Mal sabia eu (só descobri depois) que ele foi demitido pois enviou seu currículo para uma outra vaga encontrada em um site de comunicação. Você pode estar se perguntando onde está o problema nisso, certo? Nenhum, de fato, se não fosse o redator ter enviado um currículo para a própria agência em que trabalhava – isso, em horário de serviço. Exatamente, a vaga não identificava a empresa. A reação do chefe da agência, que criou a vaga e recebeu o currículo, vocês já devem imaginar.

Avisar o colega ou ferrar com ele? Nesta mesma pequena agência, havia um mídia (fofocas à parte, que hoje tem um site muito famoso) que sempre que o chefe saía vinha até o setor da criação. Este mídia era daqueles figurões que nasceram para fazer piadas e imitar os outros. Só tem um porém, ele imitava os maneirismos do dono da agência. Confesso, todos ríamos, mas sempre tentávamos dar uns toques para ele voltar à sala dele pois qualquer dia acabaria se ferrando. O chefe o surpreenderia em pleno stand up. Fato é que este dia nunca chegou, nós o provocamos. Em uma confraternização de final de ano, com todos em alegria etílica, pedimos ao mídia (na frente do dono da agência) que imitasse o chefe. Encurralado, ele ficou sem graça. Depois imitou e todos riram. Não sei o porquê (na verdade, eu sei, só que fica mais dramático dizer que não), mas o mídia nunca mais deu seus showzinhos após esse dia.

E aí, até onde vai minha ética de profissional de comunicação? Relembrar estas histórias me fez pensar nesta pergunta. Resolvi compartilhar com vocês.

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Talvez você tenha uma dúzia de histórias mais engraçadas que essa. Conta pra gente sem pudor aqui nos comentários que tá tudo certo.

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About Author

Idealizador do site Homo Literatus, além de apresentador do programa de televisão LiteratusTV, do podcast 30:MIN e das séries de vídeos QuestionBook e A Arte de Contar Histórias Por Escrito. Tem contos publicados na Revista Flaubert #06 e #11 e no portal hispânico CuentoColectivo. Finalizou um romance que pretende publicar em 2015.

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