O que Sense8 deixa de reflexão aos comunicadores

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 Como Sense8, série dos criadores de Matrix, nos ensina a trabalhar com comunicação

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Tenho certeza que os irmãos Wachowski não criaram Sense8 pensando nos profissionais de comunicação, mas isso não quer dizer que não possamos olhar para a série com a perspectiva de absorver algo para a nossa profissão, ou até mesmo para nossa visão de mundo.

Para quem não conhece a série que estreou em junho de 2015 na Netflix, Sense8 conta a história de oito pessoas – Will Smith, RileyMiddleton, CapheusAmeen, Sun Bae, Lito Silvestre, KalaDesai, Wolfgang Riemelt e Nomi Clayton – que pertencem a culturas e países diferentes, não se conhecem, jamais se viram, no entanto começam a compartilhar de forma não intencional situações emocionais. Tudo começa quando todos eles têm a mesma visão, de uma mulher chamada Angélica que se suicida. A partir deste momento, passam a estar mental e emocionalmente ligados, descobrindo que são “sensates” de um mesmo grupo. Ou seja, cada um deles tem plena capacidade de conversar, sentir e até utilizar a habilidade do outro. Como uma espécie de guia, surge um personagem coringa chamado Jonas, que procura orientá-los através do sensate Will. Por outro lado, eles meio que passam a ser perseguidos por um tal de Sussurros.

Pode até parecer uma história sem profundidade de super heróis, mas a verdade é que em vez de se concentrar nos “poderes” adquiridos, a série segue um viés diferente, focando nos conflitos de cada personagem. Will que é assombrado pela carreira policial do pai; Riley que busca fugir de uma tragédia de seu passado; Capheus que tenta ganhar dinheiro como motorista de uma van em Nairóbi para comprar remédios para a mãe aidética; Sun que sacrifica sua honra na Coreia do Sul para salvar a de um irmão que não vale a pena; Lito que tem que escolher entre ser um astro macho do cinema mexicano ou assumir seu amor com Hernando; Kala que sob as tradições de uma Índia religiosa precisa decidir se casa ou não com um homem que parece perfeito, mas a quem não ama; Wolfang, o alemão que se pergunta se deve ou não roubar sua própria família como forma de vingança; e Nomi, que apesar de viver uma relação estável com sua parceira, precisa enfrentar a mãe que não admite que ela agora seja uma mulher.

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De quem assistiu à série, ouvi coisas que vão desde “pra mim, os irmãos Wachowski morreram depois de Matrix” até “que é uma das melhores séries que a Netflix já lançou”, o que é um puta elogio se considerarmos que a streaming vem lançando coisas como House of Cards e Orange Is The New Black.

Particularmente, o misto de trama envolvente, cenas engraçadas, além de ação e suspense, me envolveu como nunca. Mal posso esperar a continuação. Porém o que achei mais forte é o que chamo de “a grande metáfora de Sense8”.

O que diferencia um sensate de um humano normal é sua “capacidade de sentir”. Aliás, eles precisam se agarrar a esta ideia se quiserem sobreviver. Acredito que aí esteja uma grande lição para os comunicadores. Muito já se falou sobre conectar marcas às pessoas etc, etc,etc.  Mas isso é muito difícil quando vemos empresas como instituições, ou ao não existir uma empatia com a marca. Mais do que isso, se não há uma empatia é por que não há uma imagem humana, uma conexão, uma possibilidade de sentir.

Talvez o que Sense8 possa ensinar a nós, profissionais de comunicação, seja apresentar às empresas uma necessidade de investirem em humanização, de se aproximarem do público através de ações, de investir as altas verbas de mídias em ações que demonstram se importarem com as pessoas. Muito provavelmente, nenhuma publicidade será mais poderosa que isso. Nenhum marketing de guerrilha ou qualquer outro tipo de estratégia pode ser mais eficaz do que conseguir a atenção do público através de ações que conectem as pessoas, que as façam “sensates.”

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About Author

Idealizador do site Homo Literatus, além de apresentador do programa de televisão LiteratusTV, do podcast 30:MIN e das séries de vídeos QuestionBook e A Arte de Contar Histórias Por Escrito. Tem contos publicados na Revista Flaubert #06 e #11 e no portal hispânico CuentoColectivo. Finalizou um romance que pretende publicar em 2015.

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