“O Rock não é um gênero pro negro”

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Frase polêmica, mas que gerou bastante mimimi no Facebook, como sempre.

Essa frase foi dita pelo gigante Seu Jorge em uma entrevista pra NOISEY, quando estava respondendo a um pergunta sobre seu papel como Pelé da Silva, no filme A Vida Marinha com Steve Zissou, de Wes Anderson. No filme, o brasileiro canta versões de músicas consagradas, como STARMAN, de David Bowie. Perguntado sobre o porquê de cantar em português, ele disse:

“Porque não tinha necessidade de eu fazer a versão de “Starman” se já existe uma maravilhosa, e a única dentro da lyrics. Na época eu não falava inglês e, mesmo que falasse, não escreveria em inglês. Pô, eu sou brasileiro, nasci no Rio. Sou do subúrbio. O rock não chegou. O rock não é um gênero pro negro, apesar de Jimi Hendrix. Suspeito até que o reggae o negrão aqui não gosta. Quem gosta de reggae mesmo é a galera do surfe, o pessoal da Guarda do Embaú, eles gostam. A negrada na favela não escuta o reggae music. Talvez porque a imagem do reggae ou do Bob Marley ou do dread esteja associada à maconha, que associa à polícia, que associa à repressão, que associa a um monte de coisas. Me lembro de não ter ouvido rock’n’roll.”

Seu Jorge

Fonte: sopacultural.com

Sim, sabemos que o Rock é uma música NEGRA, tendo seu nome gerado de uma expressão NEGRA para fazer sexo (c’mon, ROCK N’ ROLL, dãã). O que interessa aqui, no entanto, é a interpretação de texto da maioria das pessoas que estão comentando sobre o assunto.

“Quanta bobagem !!!!!! O Rock se origina do Blues querido!!!! E foram os negros que começaram! O Rock não tem cor….Faça um favor, se não tem o que falar, não fale isso! A música é pra ser sentida por todos!!!!! Long live Rock N roll! !♡ Coitado do Hendrix!”

“Que opinião racista do car%&@ ! Vem falar isso pras bandas de Rock e Metal da Bahia no Festival Palco do Rock para ver o que vc vai ouvir sacana !”

“Seu Jorge é um ignorante sem cultura. Acha que só existe negro na favela no rio? se nunca escutou rock o problema é teu que nunca buscou formas diferentes de música.”

Esses são comentários aleatórios sobre a reportagem, noticiada em diferentes portais e páginas do FB. FOR GOD’S SAKE! Ok, não concorda com a opinião do cara, discorde, mas precisa dessa raiva toda? Sinto que hoje, principalmente no terreno das redes sociais, onde não se há olho no olho, todo mundo pode tudo (acha que pode).

Por favor, gente. Sou a favor da hashtag, #maisinterpretaçãodetexto, porque olha, tá difícil, hein.

E você, o que acha disso tudo? Concorda, discorda, não dá a mínima pra todo o mimimi, comenta aí. Mas antes, que tal ler a entrevista completa?

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Um pouco de Linklater, Allen, Nolan e Scorsese. Mais um bocado de Freud, Jung, Zizek, Mckee e Campbell. Ainda um pouquinho de todas as pessoas que já conheceu. Talvez um pedaço de você. Muito do mundo, da rua e da vida. E absolutamente tudo do que emociona.

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