Trabalhar no Home Office: o que eu preciso saber?

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É natural que nossa geração procure por melhores oportunidades de trabalho. Apesar de reclamarmos, temos muito mais possibilidades do que outras gerações em décadas passadas. Possuímos mais acesso a informação, graças à internet.Conseguir uma graduação? Nunca foi tão fácil. E uma pós ou um MBA estão em um terreno possível.

Logo, ao nos depararmos com um emprego estático, sem oportunidades criativas, onde as mesmas hierarquias se mantém há anos, desejamos pedir a conta, sair cantando Dogdays are over do lado de fora da empresa, e começarmos imediatamente a empreender nosso próprio negócio – em um home office, com frigobar, um Playstation ou um Xbox para desestressar, e possivelmente trabalhando apenas de roupas íntimas, certo?

A realidade não é bem assim. Segurem as tangas.

Quase dois anos atrás, larguei meu cargo de redator em uma agência para me tornar freelancer em casa. E neste texto vou compartilhar algumas coisas que aprendi:

Você faz seu horário: isso pode ser uma benção ou uma maldição: Acredite, por mais que você tenha vontade de mandar seu chefe tomar naquele lugar, sem ele é mais difícil do que pode imaginar conseguir fechar o Facebook, o Netflix, o Youtube ou qualquer outra coisa. Por que trabalhar quando você podia estar assistindo ou jogando? Por incrível que pareça, ao tramparem casa, você também vai precisar estabelecer horários. Claro que isso tem uma vantagem enorme, afinal você pode se preparar para utilizar seu horário mais criativo do dia em seus jobs.

Ninguém fará o serviço de banco para você: A gente não se dá conta do quanto é chato ter que fazer a parte contábil até fazê-la sozinho. Dias atrás, encontrei um amigo no centro da cidade. Como ele sabe que trabalho em casa, me perguntou o que eu estava fazendo ali. Respondi que tem coisas que não dá para fazer pela internet. Ele me falou que até se quiser matar um homem, dá para conseguir alguém pela Deep Web. Rebati dizendo que então ser freelancer é mais difícil do que matar uma pessoa, veja só.

Faça um cadastro no MEI: e pague seu INSS como Micro Empreendedor Individual: Esta dica entra na lista de “utilidade pública”. Por mais que se diga que o INSS vai falir, se você for um profissional independente, é importante pagar para ter algum amparo. Apenas para citar um exemplo, por mais saúde que você tenha, sempre pode acontecer alguma coisa. Então, ao ser contribuinte do INSS, poderá ficar encostado e recebendo. O cadastro no MEI facilita as coisas, se torna mais barato para pagar e pode ser feito no Sebrae mais perto de você.

Instabilidade do mercado:Nem tudo será um mar de flores. Principalmente no que se refere ao mercado publicitário, pois estamos enfrentando um tempo de instabilidade. Um dos meus clientes resolveu cortar o orçamento em comunicação, achando que isso seria melhor para sua loja (não vamos comentar a coerência dessa decisão, por favor). Logo você pode se ver sem seu bendito dinheirinho. Não existe nenhuma segurança para freelancers. Portanto, não faça grandes dívidas, talvez você possa pagá-las.

E agora, depois de tudo isso, você pode estar se perguntando se eu recomendo ou não trabalhar em casa. Posso dizer com todas as letras que sim. O tempo que eu gastava no transporte, indo ao trabalho, cerca de duas horas por dia, reinvesti em um projeto pessoal. Escrevi um livro de ficção, algo que tanto queria. Também ando dormindo mais e com a saúde em dia.

Cabe a você pesar as possibilidades e decidir se serve ou não para esta vida.

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About Author

Idealizador do site Homo Literatus, além de apresentador do programa de televisão LiteratusTV, do podcast 30:MIN e das séries de vídeos QuestionBook e A Arte de Contar Histórias Por Escrito. Tem contos publicados na Revista Flaubert #06 e #11 e no portal hispânico CuentoColectivo. Finalizou um romance que pretende publicar em 2015.

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