Carta a um jovem blogueiro

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Por Vilto Reis

 Há uma série de livros que sempre começa com “cartas a um jovem” seguido de determinada profissão. O formato é interessante, logo se você é convidado a se autoentrevistar escrevendo uma carta, torna-se uma tentação não se utilizar deste princípio, de escrever algo a alguém que estaria começando.

Para trabalhar com internet não existem fórmulas, mas existem alguns caminhos que a gente só enxerga depois de ter andando um bom chão.

Hoje o Homo Literatus, portal de conteúdo literário que criei, conta com mais de sessenta colaboradores do Brasil e do exterior, considerando nossos portugueses e um angolano. Publicam-se matérias, contos, resenhas, crônicas, entrevistas, podcast e vídeos.

Parece tudo muito bonito, mas não é bem assim.

Podemos elencar uma série de problemas para manter um site de literatura. Por exemplo: 1) o índice de leitura no Brasil é baixo, portanto temos um público não tão grande; 2) como manter a publicação diária de conteúdo?; 3) se conseguimos reunir uma equipe grande de colaboradores, de que forma instigá-los à produção de textos?; 4) caso a intenção seja a rentabilização do projeto, qual a maneira de conseguir anunciantes, sendo que a política das editoras é enviar livros a blogueiros, e eles divulgam essas obras de graça?; 5) ou ainda, de onde tirar motivação para todos os dias estar ali trabalhando, editando, procurando imagens, revisando e publicando o material?

Depois disso tudo, pode-se perguntar: vale à pena?

Depende de você. Depende das pessoas que trabalham com você. Depende do prazer que você extrai daquilo, ou se este prazer consegue ser maior que o incômodo.

Quando inicie o site, cerca de quatro anos atrás, não tinha qualquer pretensão. Voltei do Festival de Publicidade de Gramado de 2011, após ter assistido a uma palestra de Tiago Mattos, da Perestroika, com uma ideia na cabeça: “vai lá e faz”. Não tinha noção de nenhuma das dificuldades citadas acima, mas prossegui no projeto. Fui escrevendo (às vezes quatro posts por semana), fazendo contato e aprendendo muito com os outros colaboradores. Houve um momento na metade de 2013 que quase desisti. No entanto, acabamos recriando a identidade visual do site, definindo o perfil editorial e a estratégia digital.

Se eu fosse aconselhar alguém, agora, sobre como começar, diria três coisas: 1) vídeos trazem um retorno de audiência mais rápido do que textos, pense nisso; 2) o público de podcast é o mais fiel e querido, monte seu time de podcasters; 3) só vá em frente se você tem alguma área de conteúdo que gosta muito, não precisa ser um especialista, afinal seu site/blog será sua escola.

E se de alguma forma, pudesse dar dicas para um eu do futuro, diria para jamais esquecer que o Homo Literatus só existe por que vale à pena falar de literatura para as pessoas. Eu mesmo só o iniciei porque queria escrever mais.

É um vício que não se pode fugir.

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Vilto Reis é editor e idealizador do site Homo Literatus, além de apresentador do programa de televisão LiteratusTV, do podcast 30:MIN e das séries de vídeos QuestionBook e A Arte de Contar Histórias Por Escrito. Tem um conto publicado na Revista Flaubert #06 e #11. Finalizou um romance que pretende publicar em 2015.

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