Lições para a vida com Marcelino Freire

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Nunca ouviu falar desse pernambucano arretado? Então, mes amis, está mais do que na hora de conhecê-lo. Marcelino Freire é um dos nomes mais importantes da literatura contemporânea brasileira. Nesta última semana, ele esteve em Porto Alegre palestrando na Perestroika e tivemos a chance de bater um papo.

Marcelino é um cara simples e extremamente receptivo. Em algumas horas que estive com ele, aprendi coisas que não havia entendido numa vida. Aprendi, por exemplo, que o poeta não promete e nem deve prometer a salvação de ninguém. Há apenas algo a se cumprir.

O que ele quer dizer com isso é que os poetas servem para dizer coisas que não enxergamos. Suas palavras servem para nos acordar. Mas quem tem de ver as coisas, somos nós. Leia “O Bicho“, de Manuel Bandeira, por exemplo.

Talvez você não seja chegado em poesia. Talvez você nunca tenha lido alguma. Ou então já leu várias, mas achou todas um saco. Graciliano Ramos? Cecília Meireles? Augusto dos Anjos? Que droga ser obrigado a ler essa gente, não?

Pois é, talvez muitas pessoas pensem isso porque os professores de literatura geralmente colocam poetas consagrados em pedestais. É como se tivéssemos de vestir roupas de gala para lê-los. Seria tão mais fácil se, desde pequenos, aprendêssemos uma simples lição: poetas escrevem sobre suas angústias e verdades. Eles nos levam a diferentes geografias, histórias, dores e prazeres. Eles nos pegam pela mão e sussurram, bem ao ouvido, “vamos viajar”.

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Um escritor de verdade inaugura um olhar para as coisas. Ele não escreve com rimas, mas com ímas. A emoção da escrita se encontra numa região magnética. Seja com poesia, contos, romances inteiros ou, até mesmo, com a redação publicitária. O problema é se escrever com palavras que não são nossas. Não devemos querer escrever algo bonito, mas apenas dizer o que desejamos dizer. Não é a toa que Olavo Bilac, Manuel Bandeira, Fernando Pessoa e tantos outros escritores usaram suas penas para vender fósforos, whiskies e automóveis, por exemplo. Escrever é expressar suas verdades. Escrever com suas verdades é como desenhar na página.

E como saber se algo está bom? Marcelino diz que sabe quando um de seus textos está pronto quando ele se emociona. Para mim, isso deveria acontecer com tudo na vida. E não se estresse taaanto assim com as regras gramaticais, afinal, o escritor não escreve com pontuação, mas sim com pulsação. Ou seja, com o coração.

Obrigado Marcelino. Você me ensinou lições para a vida.

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Um pouco de Linklater, Allen, Nolan e Scorsese. Mais um bocado de Freud, Jung, Zizek, Mckee e Campbell. Ainda um pouquinho de todas as pessoas que já conheceu. Talvez um pedaço de você. Muito do mundo, da rua e da vida. E absolutamente tudo do que emociona.

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