A vida e a morte de um publicitário quase famoso

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Eu era um profissional da propaganda. Um profissional f**a, diga-se de passagem. Ganhei prêmios, elogios, tapinhas nas costas. Saia só com as pessoas mais bonitas, era convidado para as melhores baladas, enfim, um exemplo perfeito de um cara que sabia aproveitar a vida. Eu era jovem. Muito jovem, talvez, para encarar bem tudo o que estava acontecendo. Eu estava em uma subida rápida. Eu era aquele típico talento que poucas vezes aparecem. E eu fiz questão de aparecer.

Mesmo com todo o puxa saquismo, eu sei que havia aquele papinho de que eu era arrogante e que eu não iria muito longe daquele jeito. Bando de idiotas. Coisa bem comum no mundo da comunicação. Espero que você não seja assim.

Mas sabe o que é o pior? Aquele bando de idiotas estava certo.

No fundo eu era um babaca. E na superfície também.  Achei que já sabia o suficiente, que daria conta de qualquer trabalho. Comecei a atender contas maiores, e junto com elas, vieram os fracassos. “Clientes medrosos”, eu dizia. “Querem sempre mais do mesmo”. O que eu não via é que o medroso era eu, que não aceitava estar errado. Ferrei com a minha agência, meus colegas, minha carreira. Fui demitido. Não consegui emprego em nenhuma outra grande agência, afinal, já tinha feito minha má fama no mercado.

Eu morri.

Essa não é a minha história, mas poderia ser. Poderia ser a minha, a sua, a de qualquer um.

Então, me faça esse favor, não morra.

Se não por mim e nem por você, pelo mercado, seja qual for sua área.

Não precisamos de mais babacas assim.

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Um pouco de Linklater, Allen, Nolan e Scorsese. Mais um bocado de Freud, Jung, Zizek, Mckee e Campbell. Ainda um pouquinho de todas as pessoas que já conheceu. Talvez um pedaço de você. Muito do mundo, da rua e da vida. E absolutamente tudo do que emociona.

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