Deputados votam novo reajuste para aumentar o próprio salário em 12%

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Você está navegando pelo Facebook e, não raro, se depara com um post feito pela página de um jornal conhecido, ele traz uma manchete do tipo “Deputados votam novo reajuste para aumentar o próprio salário em 12%”. Indignante, não é mesmo? Possesso, você precisa externalizar sua revolta. Você compartilha o post, escreve um comentário ácido para acompanhar. Tudo beleza. Mas espera, não está esquecendo de nada? Talvez ler a matéria? Ver se algo do que está ali tem fundamento? Ops, detalhe. Foi o que você fez ao ver a chamada deste texto? Espero que não. Aliás, sei que não. Porque aí não estaria aqui lendo.

Talvez a situação atual do Brasil tenha criado a maior demanda por informação de qualidade desde que grande parte da nossa população passou a ter acesso à internet. As pessoas estão mais interessadas. Elas querem saber o que está acontecendo. Estão todos vigilantes, atentos às transgressões de parte a parte a serem cometidas em Brasília. Contudo, meu palpite é de que muito poucos sabem consumir informação na internet. Fomos direto do conteúdo denso e aprofundado do jornal para o conteúdo descartável de um tweet. Consumimos e compartilhamos coisas sobre temas complexos sem nos comprometer com tal complexidade. Somos rasos. O jornalismo caça-cliques da internet criou um bando de leitores de manchetes. Não que ninguém lesse só manchetes antes, mas a situação agora é pior. As pessoas leem a manchete, a tomam como verdade e repassam para outras pessoas que leem a manchete, a tomam como verdade e repassam. Existe jornalismo bem feito na internet? Claro que existe. Mas existe muita, mas muita coisa ruim. Isso serve não só matérias políticas, ok? Serve para todo tipo de conteúdo na internet. A situação política só é mais grave por causa do contexto e poder de influência que tem sobre nossas vidas, por isso a cito com mais frequência aqui.

A palavra escrita sempre foi vista como mais confiável que a falada, por exemplo. Isso se deve justamente ao jornal impresso. O jornal tinha informação de confiança ali no papel, preto no branco. O problema é que transportamos essa lógica para o meio digital, no qual, hoje em dia, não há tal compromisso com a veracidade das informações. É daí também que vem a célebre e irônica frase: “se está na internet, é verídico”.

Eduardo-Cunha1

A verdade é que fiz este texto para fazer um apelo. O que você vê e compartilha na internet ajuda a moldar opiniões, causar conflitos, apressar conclusões e suscitar dúvidas, ainda mais em um momento delicado como o qual nos encontramos hoje. Antes de sair compartilhando as coisas, leia. Não digo isso porque não quero que você passe vergonha em sua timeline. Na verdade não me importo com isso. Leia porque você vai começar a identificar quem está ali para lhe dar informação séria e quem não está. Depois de um tempo você não vai nem precisar dar seu clique para manchete engana-bobo e nem vai precisar mais ler esse tipo de coisa. Assim você fortalece que trabalha direito e deixa quem mendiga cliques balançando a canequinha para o vento.

Experimento sóciodigital: compartilhe este texto em sua timeline e veja a mágica acontecer. Veja quem comenta o post indignado, quem compartilha e quem realmente lê. Depois fique atento a qualquer tipo de coisa que estas pessoas compartilharem depois, pode não ser verdade.

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About Author

Sim, já ouvi todos os trocadilhos possíveis com o meu nome (inclusive pensei vários deles eu mesmo). Sou redator publicitário, gosto de café, filmes, café, séries, café, escrever (dã), café, cerveja e café. [Insira frase com sacadinha e piada pra finalizar a descrição].

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