O valor de ser gente boa

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Se existe uma coisa que temos são diferenças. São cores, sabores, tamanhos, sexos, gostos, temperos, tons e tantas outras que ficam nos olhos e transcendem o corpo. Só que agora, eu quero lhe pedir uma coisa: sejamos iguais, mesmo tendo todas as nossas diferenças. Vamos todos ser gente boa. Não há nada no mundo melhor que topar na esquina da vida com alguém assim.

Quem é gente boa é de amizade fácil, antes mesmo da cerveja chegar à mesa já é amigo de infância, de causos de minutos atrás. Abraça sem pudor ou a necessidade de embriagar-se, brinca de pular assunto chato e tira sarro dos seus problemas, que de tão sem graça saem de fininho do porão do coração.

Quem é gente boa não costuma levar escova de dentes, basta uma porta abrir para estar em casa, da geladeira e do armário na grande maioria das vezes. Tira os sapatos para entrar e anda de meia, assim, sem importa-se que você não arrumou a casa.

Quem é gente boa sabe ouvir como ninguém, coleciona histórias e delas escreve literatura que só eles conseguem ler e, por isso, também contar.

Quem é gente boa é uma mistura de histórias de vida de pescador com a verdade que só mãe e pai tem na ponta da língua. Experimente.

Quem é gente boa é mais rápido que macarrão instantâneo, precisou fica pronto sem demora, para a viagem à padaria ou o pulinho em outro estado para visitar sua tia-avó.

Quem é gente boa também não faz críticas: faz café de coador e de cafeteira –  por que não? – sopa e massagem no pé. Muda e ajuda na mudança, até quando sente o aperto pior que os móveis no caminhão. Sempre leva o melhor da vida, sem esquecer de deixar um bocado para você guardado dentro de algum tupperware.

Quem é gente boa não é bobo ou boba, mas às vezes fica feliz de assim se nomeado. Sabe o que pouca gente sabe: que o bom é ser assim do jeitinho que a gente é, sem precisar saber de tudo.

Quem é gente boa tem mais calos no coração que em qualquer parte do corpo. Usa-o sem dó  que se acabe, mas acho que nunca pensou que tal possibilidade existe de fato. Quem o vê pela rua não dá nada e, na grande maioria das vezes, é ele que ajuda quem nela mora.

Quem é gente boa é sempre o apoio, o pesinho no muro para assaltar a fruta da árvore ou aquele esforço para levantar você.

Quem é gente boa não puxa tapete, mas não perde uma oportunidade de puxar uma cadeira seguido de um assunto que começa, termina e emenda noutro.

Quem é gente boa não tem vergonha de falar com cachorro, gato ou periquito, com as árvores ou com as estrelas ou sozinho. Se precisa fala. Encontra assunto no metrô, no ônibus, no bar e na fila e quando, por acaso, não encontra, inventa.

Quem é gente boa é sorte; não é trevo, ferradura, pé de coelho ou qualquer superstição: é sorte mesmo. Mais rara que ganhar na mega-sena. Única. Sorte que você pode marcar encontro, mas o bom de verdade é encontrar caminhando com o acaso.

Quem é gente boa merece mais que mil likes e compartilhamentos, mas felicidade é de ser adicionado na vida. De ser uma parte para ser completo. Se você conhece essa pessoa voe até seu abraço, agradeça e retribua. Se você não é essa pessoa ainda dá tempo de mudar, sair de casa e virar a esquina, quem sabe quem vai topar com você.

& ilustração do artista – Puuung.

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About Author

Redator publicitário, 25 anos. Viciado em tentar ser engraçado e patinador de final de semana. Amante de bons filmes e bons livros. Daquele tipo de pessoa que fala mais que a boca e escreve quando não dá para fazer o anterior.

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