Precisamos falar sobre o ar condicionado

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Eu sou uma pessoa do tipo friorenta por natureza. É aquele tipo de coisa que não se pode fazer muita coisa, é como o tipo sanguíneo sou assim e pronto. Gosto de dormir com uma coberta enrolada dos pés à cabeça como num casulo de hibernação, mesmo no calor o máximo que faço eu usar uma mais leve, mas ainda assim a minha companheira de todas as noites está lá.

Por outro lado, um problema é o tá quente, tá frio, tá quente, tá frio, especialmente a parte do frio, claro. Se você mora em São Paulo isso é novidade, é fácil ver a população sair de casa vestindo casaco, à tarde com ele estendido nos braços e mais à noite na saída do trabalho voltar a vesti-lo. É sempre um pé lá um cá. Não há meio-termo. Em um processo darwinista já nos adaptamos ao: trânsito, barulho e a poluição, o que é uma mudança rotineira de clima?

O que tem me incomodado é o ar condicionado da agência. Acredito que esse problema não ocorre só por essas bandas, porém, aqui essa rotina doida só piora a situação. Quem nunca teve um problema com um deles pode parar por aqui, esse testemunho é para vítimas do mesmo malfeitor.

Sento em um longo mesão comum em agências. Fico na criação ao lado dos outros redatores e diretores de arte, nada de anormal, a não ser um monstro de quase dois metros de largura preso na parede direcionado para a minha cabeça. Eu só fui perceber o seu plano depois de alguns dias e dois resfriados. Como nos filmes quando o mocinho só se dá conta que tem algo de errado no momento que o problema salta na cara dele.

Pi, pi, piii.

Esse foi o alerta, o aviso sonoro que a próxima era glacial iria se instalar. O vento produzido ficava balançando as folhas de rascunho na mesa e as minhas pernas que tremiam. Tratei de pedir que me ensinassem a ajustar o bendito para uma temperatura mais humana.

Pi, pi, piii.

Pronto. Mesmo com a temperatura abafada que fazia lá fora eu consegui um meio-termo agradável, confortável para se viver e trabalhar. Não durou muito, logo alguém entrava, tomava o controle e fazia daquela sala o seu iglu. É como já disse no começo, somos divididos entre calorentos e friorentos.

Na hora eu fiquei na minha, quando se é novo em qualquer trabalho você não tem muito direito a voto. Precisava de um novo plano. E assim como o Batman impediu o congelamento de toda a Gotham City pelo Mr. Freeze, eu tratei de fazer o mesmo mudando a temperatura sempre que tivesse a chance. Não deu muito certo, óbvio. A maioria é do outro time, o CCC – Calorentos Controlers Club. Conformado, comecei a levar blusa; usava durante todo o expediente de trabalho, e na hora de ir embora a tirava por causa dos 30 e poucos graus daquela semana, inclusive à noite se bobear.

Contei o problema e o fato de parecer uma Tartaruga Ninja com a blusa na mochila para os meus amigos. Foi então que um disse para deixá-la no trabalho. Gênio. Como não havia pensei nisso antes. Deu certo por dois dias. O tempo virou e a temperatura também, que surpresa. Tive que usar blusa ao sair de casa, e de queda o guarda-chuva. Agora não tinha uma, mas duas no trabalho.

O que eu aprendi com tudo isso? Que pessoas são complicadas, São Paulo é difícil e aparelhos de ar condicionado é uma mistura dos dois.

 

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About Author

Redator publicitário, 25 anos. Viciado em tentar ser engraçado e patinador de final de semana. Amante de bons filmes e bons livros. Daquele tipo de pessoa que fala mais que a boca e escreve quando não dá para fazer o anterior.

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