Teaser, uma ferramenta esquecida pela publicidade?

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Vivemos uma era onde a indústria cinematográfica impulsiona seus filmes como nunca antes, usam teasers e trailers como jogadas de marketing para que suas trilogias, universos e franquias fiquem o máximo de tempo na mente do público, criando uma verdadeira máquina de se fazer dinheiro.

Há quem ama e quem odeia os lançamentos quase que semanais dos mais variados filmes, porém, independentemente dessa polarização de opiniões, o que não se pode negar é o resultado positivo da grande maioria, que continua a bater recordes mundiais de bilheteira.

Vingadores 1 e Era de Ultron, Jurassic World, Star Wars e agora com o recém-lançado Batman Vs Superman: a Origem da Justiça e também o esperado novo filme da Marvel, Capitão América: Guerra Civil consolidam o sucesso dessa estratégia.

Agora, por que a publicidade não está acompanhando essa tendência?

Analisando-se a atual situação econômica no país pode-se entender um dos fatores que influenciam as decisões do mercado publicitário. “Por que eu vou gastar com a produção de mais filmes, material gráfico e o que mais for necessário nesses teasers se eu posso investir isso em mídia e obter um maior resultado com um único filme?” É um raciocínio lógico, mas será que deixar de lado esse tipo de estratégia diante do sucesso de uma das maiores fontes criativas e mercadológicas para a publicidade é o certo a se fazer?

Tomando como exemplo a campanha de marketing, de grande sucesso, vale ressaltar, do filme Deadpool, podemos traçar um contraponto. Os investimentos foram ínfimos comparados aos gigantes que tomam as salas de cinema. Utilizando do nossa maior matéria-prima, a criatividade, garantiu com pequenas ações em diferentes mídias o sucesso do longa do super-herói mais desbocado dos quadrinhos.

Vale também guardar às devidas proporções entre os mercados, são estruturas com diferenças bem definidas. O tempo de uma campanha de qualquer filme é proporcional ao tempo de produção, diferente de uma campanha publicitária. O que deve-se destacar é a essência da coisa, sua estratégia e, claro, seus resultados.  

Instigar o público, gerar curiosidade e mídia espontânea podem trazer grandes contribuições a lançamentos de novos  produtos e posicionamentos, por exemplo. O comum hoje, basicamente, é, criar um filme ou campanha e fazer com que o máximo possível de pessoas vejam, isso as métricas garantem que acontece. Mas o engajamento, a interação e lembrança de marca, será que vêm nesse pacote? Hoje, ver não é necessariamente garantia de comprar.

O teaser sempre foi uma ferramenta comum dentro do publicidade, campanhas se tornaram memoráveis para o público e para o próprio mercado pela utilização desse recurso como: a campanha de lançamento da Devassa e mais recentemente a da Smirnoff e o Deslançamento da Kombi.

Prancha_Globes_Integrada

Case desenvolvido pela Agência Mood para o lançamento da cerveja Devassa.

 

Toda a campanha de posicionamento foi criada pela agência Wieden+Kennedy SP.

Toda a campanha de posicionamento foi criada pela agência Wieden+Kennedy SP.

A campanha foi criada pela AlmapBBDO para anunciar o "deslançamento" da Kombi, que parou de ser fabricada em dezembro de 2013.

A campanha foi criada pela AlmapBBDO para anunciar o “deslançamento” da Kombi, que parou de ser fabricada em dezembro de 2013.

Será que os investimentos trouxeram o retorno estimado ou poderiam ser compensados com investimentos de mídia?

Diante desse cenário, cabe às agências, clientes e profissionais olharem de forma mais abrangente para outros mercados, não só o de cinema, que vem construindo-se com o uso de uma ferramenta que pode parecer cara no primeiro momento, mas que pode gerar o próximo recorde de visualização no YouTube, de comentários e compartilhamentos nas redes sociais e o boca a boca do consumidor. A fórmula pode não ser a mesma, mas o ingredientes estão todos aí ao alcance do mercado. Guerrilha e relações públicas são alguns deles, cabe apenas questionar-se e ficar atento para evitar o esquecimento na hora de criar e aprovar.

 

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Redator publicitário, 25 anos. Viciado em tentar ser engraçado e patinador de final de semana. Amante de bons filmes e bons livros. Daquele tipo de pessoa que fala mais que a boca e escreve quando não dá para fazer o anterior.

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