Uma revolução chamada podcast

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Eu cresci ouvindo rádio. E não, o rádio não morreu.

Meu irmão tem idade para ser meu tio, dezoito anos mais velho, é tetraplégico e eu sempre o vi sentado em sua cadeira de rodas, ouvindo rádio. De forma que, desde criança, eu brincava ao redor dele, sempre aposto para buscar um copo de água ou remédio. E ouvia rádio. Principalmente programação jornalística, mas também esportiva. Passei a copiar os narradores de futebol com seus discursos acelerados, como se emendassem uma palavra na outra.

Então veio a vida adulta. Cursei Comunicação Social – Publicidade & Propaganda. Adivinhem qual foi uma das minhas matérias preferidas? Rádio, óbvio.

Entretanto, nunca tive vontade de trabalhar em uma rádio. Acabei me tornando outro tipo de locutor, um apresentador de podcasts.

[Para quem não sabe, podcast é um programa em áudio gravado e postado em um feed, ficando disponível para quem quiser baixar e ouvir].

Como grande parte dos fãs da mídia podcast, comecei ouvindo o programa Nerdcast, do site Jovem Nerd, no qual Alexandre Ottoni, Deive Pazos e convidados tratam de temas do mundo nerd (ainda que hoje em dia as temáticas sejam bem mais amplas). A seguir, passei a ouvir inúmeros outros programas, como o podcast da agência Bullet, o Café Brasil, o Papo na estante, o Cabulosocast, entre outros.

Mas o que levou a me apaixonar por esta mídia? Bem, há algo intimista na comunicação radiofônica que quem não teve contato, não pode entender. O ouvinte de rádio se sente próximo ao locutor. E o podcast intensificou ainda mais esta relação, pois agora o ouvinte escolhe o macrotema que interessa a ele e pode ouvir as pessoas com quem se identifica abordando o assunto. Sem falar que diferente do rádio tradicional, geralmente ouvido em ambientes abertos, o podcast é escutado em fones de ouvido – mais íntimo, impossível.

Grandes comunidades se formam em torno dos programas. Ouvintes gostam da facilidade do contato com os apresentadores; e como estes não tentam se impor de um jeito superior, mas estabelecem uma comunicação horizontal.

Do ponto de vista comercial, há uma mata quase virgem a ser explorada, pois a maioria dos programas não conta com qualquer patrocínio. Me pergunto: em qual mídia as empresas poderiam se comunicar com um público tão fiel e de um nicho específico? O podcast é uma revolução no relacionamento entre criador e consumidor de conteúdo. Há uma oportunidade que as empresas precisam enxergar.

Bem, o objetivo deste texto não é ser um estudo (a quem se interessar, do ponto de vista acadêmico, as pesquisas acadêmicas de Eduardo Sales Filho, do Papo de Gordo, são uma boa indicação), mas sim ser um “testemunho” de quem descobriu o podcast, ama esta mídia e apresenta um programa que já tem mais de 100 edições – o podcast de literatura 30:MIN.

Uma coisa é certa: para cada tema que você conseguir pensar, há alguém produzindo um podcast a respeito, basta ouvir.

Quer uma dica para começar? Que tal o programa do pessoal aqui do Filés do Ofício, o Filécast? É algo viciante e não tem contraindicações. Uma revolução. #FicaDica.

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About Author

Idealizador do site Homo Literatus, além de apresentador do programa de televisão LiteratusTV, do podcast 30:MIN e das séries de vídeos QuestionBook e A Arte de Contar Histórias Por Escrito. Tem contos publicados na Revista Flaubert #06 e #11 e no portal hispânico CuentoColectivo. Finalizou um romance que pretende publicar em 2015.

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