Disrupt Yourself — uma aula de inovação no El Ojo 2015

0

Quando a eleita a Agência do Ano de Cannes para pra falar sobre sua “fórmula mágica”, você para pra ouvir.

O El Ojo de Iberoamérica 2015 aconteceu nos dias 4, 5 e 6 de novembro, em Buenos Aires. Para quem não conhece, o evento é um dos mais respeitados da área da publicidade e além de premiar as melhores campanhas da Iberoamérica (países da América Latina e Península Ibérica), traz diversas palestras durante os dias do festival. Uma das mais esperadas da edição deste ano (tanto que aconteceu por último) foi a palestra dada por Bob Greenberg e Nick Law, sendo eles, respectivamente, o Fundador/Chairman/CEO e o Chief Creative Officer da R/GA, que faturou agora em 2015 o cobiçado prêmio de Agência do Ano em Cannes.

A palestra intitulada “Disrupt Yourself. Três coisas que a R/GA está fazendo para reinventar-se” foi conduzida pela dupla e apresentou pontos muito interessantes sobre a história e filosofia da agência, além de dicas que se mostram muito relevantes em um mundo de mudanças cada vez mais frequentes.

Gnota_37619

Eu mesmo não conhecia a história agência, então fiquei surpreso quando Greenberg começou a contar sobre sua trajetória. A R/GA foi criada em 1977, mas começou como uma companhia focada em design e produção audiovisual, criando efeitos visuais para filmes e comerciais. Acontece, no entanto, que o modelo de negócios da empresa mudou 5 vezes em seus 38 anos de existência, e este foi o aspecto mais ressaltado na palestra: a constante renovação pela qual passa a agência. As mudanças, porém, aconteceram de forma orgânica, fazendo a R/GA evoluir com a tecnologia até se tornar o que é hoje, assumindo sua assinatura atual: For the connected age.

As mudanças foram tantas que, após uma observação, percebeu-se que de 9 em 9 anos, uma mudança de modelo de negócio acontecia na companhia. Hoje, eles têm o que chamam de “os ciclos de 9 anos”, que ajudam a planejar estrategicamente o negócio da empresa.

Atualmente, a agência busca transformar o modo como marcas interagem com as pessoas, buscando soluções no universo tecnológico e digital.

Então a fórmula é não ter fórmula?

Bom… sim e não. Bob e Nick defenderam com convicção um pensamento dinâmico e mutável. Ou seja: nada de se apegar. Se você ver uma oportunidade, mude. Contudo, existem três dicas valiosas dadas por eles durante a palestra sobre como fazer mudanças do jeito certo e mantê-las.

1. Mude enquanto estiver no topo

Sabe aquele velho ditado popular “não se mexe em time que está ganhando”? Então, esqueça. Timing é tudo nessa vida, ainda mais quando se fala do mercado de comunicação. No mundo dinâmico em que vivemos, se você esperar demais para fazer uma mudança, alguém irá fazê-la em seu lugar. A inovação vai acontecer, você pode liderá-la ou ser varrido por ela, e hoje em dia é preciso ser cada vez mais ágil para fazer isso com eficiência. Para isso, um bom olho para oportunidades é fundamental.

2. Tenha as pessoas certas ao seu lado

Ok, esta não é muito inusitada, mas é mais difícil de pôr em prática do que parece, pois não basta só encontrar e atrair talentos. “Você precisa das pessoas certas, mas não só isso. Você precisa da estrutura certa, pois sem isso não vai saber o que fazer com as pessoas que tiver”, contou Law. É importante estabelecer processos e objetivos, pois talento não direcionado acaba sendo desperdiçado.

3. Não tenha medo de mudar

“Pensar, fazer e reinventar”, isto é como um mantra para a R/GA. É o que a agência provou ser capaz de fazer de novo e de novo. Eles até são relutantes em usar o termo “agência” para se referirem a si mesmos, e eu entendo. Para uma empresa que já mudou tanto, aplicar um rótulo parece ser um compromisso grande demais. Ao assistir à palestra, a sensação que eu tive é que não dá pra saber o que a R/GA vai ser daqui a um tempo. Hoje mesmo, não sei se dá para dizer o que eles são. Uma agência digital, com um quê de consultoria e provedora de serviços? Difícil de classificar.  

rga

Agora, olhemos a situação à luz de um certo aspecto e façamos uma reflexão. Uma agência que não é exatamente uma agência, não tem a pretenção de ser uma agência e possivelmente não será uma agência no futuro, acaba de ganhar o prêmio de Agência do Ano em 2015. O que isso significa?

Na minha opinião, significa que temos que ter atenção: seja lá o que eles estiverem fazendo, fizeram melhor do que qualquer outra agência esse ano.

Não é só porque um jeito de fazer as coisas existe há muito tempo que ele não vai mudar logo menos. Não digo que as agências estejam fazendo do jeito errado, mas olhar o exemplo da R/GA pode ser bom pra abrir o olho de muita gente para novas oportunidades — como diz a primeira dica, a hora de mudar é antes de cair. O jeito de fazer publicidade está mudando mais e mais rápido, e, pro seu bem, é melhor que você encare isso como uma coisa boa.

Share.

About Author

Sim, já ouvi todos os trocadilhos possíveis com o meu nome (inclusive pensei vários deles eu mesmo). Sou redator publicitário, gosto de café, filmes, café, séries, café, escrever (dã), café, cerveja e café. [Insira frase com sacadinha e piada pra finalizar a descrição].

Leave A Reply